Friday, April 22, 2011

Blast from the past - Carla Duas Couves

Uma chamada telefónica vinda do nada, de uma das primeiras mulheres da minha vida, que amei quando achava que esse sentimento podia destruir-me.
Já não a vejo desde 1993, mas os meus pais cruzaram-se com ela algumas vezes e daí veio o seu número de contacto, o que levou a uma chamada de cinco minutos, onde foi evasiva e disse que depois me ligava de volta, o que não aconteceu.
O ano passado, liguei-lhe e fiquei a saber os diversos rumos que a sua vida tomou, filhos, marido e empregos, missão cumprida por tempo indeterminado, até que uma voz que reconheci imediatamente me disse ontem:
- Acho que acabei de ver-te.
Sabendo que não podia ser verdade, a menos que estivesse pendurada de um primeiro andar a olhar-me pela janela, perguntei:
- Onde?
- Sabes onde estou?
- À minha janela?
- Na estação de S. Bento.
- Não era eu.
- Eu também achei que não podias ser tu, não podias ter emagrecido tanto, mas fiquei com vontade de ver se o teu número continuava o mesmo.
E assim conversámos durante alguns minutos, onde me fez o ponto de situação da sua vida e lhe devolvi com pouco mais do que a minha situação profissional, já que a outra não sai da cepa torta.
- Bem, diz-me ela - Tu sempre tiveste uns gostos muito peculiares.
- Pior do que isso, eu também sou peculiar, portanto não basta escolher, também tenho de ser aceite na mesma proporção.
E mais dissemos, até à típica desculpa económica de falar ao telemóvel para redes diferentes nos ter conduzido ao fecho da chamada.

10 comments:

  1. engraçado essa tua "amiga" (?) ter dito que tens gostos peculiares...a pergunta impõe-se....será que ela é peculiar também?

    em todo o caso gosto quando a forma de escrever revela um pouco sobre o seu autor, há quem diga que a escrita revela sempre muito mais do que uma entrevista/conversa....também não iria tão longe, mas "gostei " :-)

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  2. Ela foi uma boa amiga, uma amiga colorida e uma breve namorada. precisamente por não ser peculiar, a nossa relação era on e off. mas atraía-me nela a sua postura cândida, optimista e ingénua. a ela atraía-a o meu sentido de humor e, quiçá, outras peculiaridades.
    estará no meu coração para sempre.

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  3. tão querido que tu és.........sometimes :-) É bonito ver um homem a falar assim.......
    no entanto não sei qual é a dos gajos de apreciarem a ingenuidade ....amuse me Ricardo, diz lá qual é.

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  4. a ingenuidade é uma característica que chega antes da corrupção. é o acreditar na palavra e na bondade alheias. eu, que endureci muito depressa e ajo sempre com uma bela dose de precaução, admiro alguém que aceita, "face value", aquilo que lhes é dito. é uma característica tão rara que é impossível não maravilhar.

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  5. mas isso não me parece necessariamente ingenuidade, pode ser apenas genuinidade da pessoa e nesse caso também aprecio as pessoas que acreditam nas outras, geralmente são pessoas confiáveis.
    terão os ditados o seu quê de razão?...quem não confia não é confiável? pode ser que não seja tão linear assim.

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  6. eu só confio depois de me darem provas de que são de confiança. vivemos num mundo cão.
    quanto a poderem confiar em mim, podem, porque se for para dizer não digo logo, e podem acreditar que é não.

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  7. isso faz-me lembrar uma história que se passou com uma ex-colega minha de liceu.

    O pai dizia-lhe relativamente à possibilidade dela conduzir o carro do papá

    "-... mas filha,o pai confia em ti, não confia é nos outros!!!"
    pergunto se existirá o confiar em alguém só pela metade?????

    isso parece um pouco calculista e talvez até um pouco medroso Ricardo, parece-me que envias a seguinte mensagem:

    - até aqui "brinco" porque comando o jogo e preciso sempre de o comandar (talvez más experiências no passado ou a necessidade de controlar sempre a todos os momentos o jogo), a partir dali já não "brinco" porque não conheço as regras do jogo, e como tal não me apetece entrar em terreno desconhecido.

    imagina que conheces alguém com o mesmo pensar que tu, quem daria o 1º passo?

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  8. porque haveria de ter de ser dado um primeiro passo com essa pessoa, havendo outras dispostas a abordagens diferentes?

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  9. e porque não? tu és é medroso LOL!

    e dizes-te tu um homem do norte. Estou a ver que tudo o que te dê muito trabalho tu pões de parte à partida.

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  10. nem tudo vale o trabalho que dá. comodismo não é medo, é comodismo.

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