Tuesday, November 1, 2011

Malho

A correr para o comboio no passado Sábado de manhã, estava ainda escuro e o piso molhado, quando a rua se moveu mais depressa do que eu e dei por mim a malhar para a frente. Ainda tentei usar a técnica do James Dean e ser mais veloz do que o asfalto, mas não consegui. Lembro-me de ter caído de tronco no chão, os óculos terem-se-me soltado do rosto e de ter-me posto de pé em acto contínuo, sem parar para pensar, e continuar a correr.


Curiosamente, as provas físicas não sustentam bem esta memória. Fiquei com escoriações em ambas palmas das mãos, o dedo do meio da mão direita inchou, uma arranhadela no joelho esquerdo, uma laceração no quadril do mesmo lado (que parece de uma chicotada) e as costelas superiores (a esquerda e a direita) doem-me quando respiro fundo.



Quanto aos bens materiais, a biqueira da bota direita foi arranhada e a correia do relógio quase ficou rasgada em duas pelo lado de dentro do pulso. O joelho esquerdo das calças está ileso, assim como o casaco e a camisola, que nem sequer se molharam, apesar do alcatrão estar molhado e ser áspero.



Três dias depois, as costelas ainda me doem um bocadinho e não consigo fechar completamente o dedo que inchou, a roupa continua a parecer nem ter sido usada nesse dia e a pulseira do relógio terá de ser substituída.



Serei demasiado forte para não me ter magoado mais, ou débil por me ter magoado tanto? Das coisas que não entendo é como a pulseira do relógio ficou num estado deplorável e a ponta da manga do blazer não sofreu nada, como é que a calça ficou normal e o joelho por dentro perdeu pele, como é que me doem as costelas e o blazer e a camisola, à frente, nem se molharam, e menos entendo como é que os óculos foram ao chão e os vidros não se riscaram.



Se alguém viu o que aconteceu, pronuncie-se agora ou cale-se para sempre.



P.S. O "agora" do parágrafo anterior refere-se ao momento em que o post for lido e não ao que foi publicado.

13 comments:

  1. queria tanto ter podido abraçar-te nesse instante amor meu. às vezes o que magoa mais não é a queda em si, mas a sensação com que ficamos de desamparo por se ter caído. espero que estejas melhor. amo-te.

    <3

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  2. nem tive tempo para pensar, estava atrasadíssimo e fui a correr. o contador da gasolina já tinha acendido, por isso deixei o carro na estação (para encher o depósito no regresso) e tive de percorrer o macdonalds a correr. ao atravessar a rua, desequilibrei-me, mas levantei-me logo a seguir e corri para a estação. ainda tinha dois minutos, fui buscar papel higiénico ao WC para estancar o sangue da mão esquerda, que ficou mais arranhada.

    só dentro do comboio tive oportunidade para reflectir.

    sim, estou melhor, mas amanhã podes dar beijinhos nas feridas :)

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  3. sim, vou beijar-te e lamber-te as feridas com todo o meu amor para que passem depressa.


    <3

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  4. que bom, quero muito isso. não tens feridas para eu lamber também? :)

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  5. tenho ,mas não vai passar com lambidela

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  6. abraça-me muito, forte


    até amanhã amor da minha vida <3

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  7. irei com cautela, ao que parece que o tempo não vai estar de feição :-/

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  8. mas depois poderás abrigar-te na minha cama, onde estarão os meus braços à tua espera <3

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  9. afinal, a arte marcial israelita não é magna nem magma, é pura e simplesmente maga, krav maga.

    se quiseres sacar da net para a D. ver, tens aqui o link:

    http://www.downtuga.net/2011/10/fight-science-ciencia-das-artes.html#more

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  10. O Tae Kwon do e bem melhor exprimentem

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