Sunday, September 9, 2012

Branca de Neve resumida

Conta o conto que a rainha quis uma filha de tez branca como neve, lábios vermelhos como sangue e cabelo negro como ébano e a vontade foi-lhe feita. Espelho da sua época, esqueceu-se de pedir um cérebro à pequena, mas a sua futilidade denota que talvez ela própria carecesse de um (não importa, morre pouco depois do parto), e a rainha que se lhe seguiu também perdia demasiado tempo a admirar-se, ao ponto da inveja a conduzir ao desejo de morte da rival, a princesa, então com apenas sete anos de idade. 

Roidinha, a rainha mandou um caçador matá-la, mas este condoeu-se e regressou com um coração de javali, que ela comeu con gusto. Do caçador não mais se soube, mas a pequenita deu com a casa de sete mineiros anões e com eles ficou, aceitando a contrapartida de tratar da casa, do fogão e da roupa deles; o trabalho infantil era, então, prática corrente. 

A rainha, depois da falha do caçador, decidiu tratar do assunto pessoalmente, e à terceira lá a outra trincou a maçã e caiu para o lado. Um caixão de vidro é escolha estranha para quem o trabalho faz descer à terra, mas os anões devem ter suposto que facilitava as despedidas no velório, tivesse Branca de Neve algum amigo. Bom, nisto passa um príncipe pelo local e apaixona-se pela morta, que a necrofilia só é mal vista quando o alvo é feio. 

Dizem uns que ela acordou com um beijo do príncipe, outros que um tropeção do caixão lhe desalojou da garganta o pedaço de maçã que lá tinha entalado, o que é certo é que juraram amor eterno e a rainha má acabou morta, havendo ou não um dragão à mistura.


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