Saturday, August 30, 2014

festa de aniversário

Estava alguém a relatar-me as suas atrofias sociais e, ao ouvi-lo dizer que não sabia abordar desconhecidos, lembrei-me de uma festa de aniversário em 2010, onde só conhecia a aniversariante (havia uma amiga comum, mas estava lá com o namorado a tratar o resto como cenário). 

Ao iniciar-se um agendado jogo de futebol, os convivas repartiram-se entre a sala e a cozinha, a primeira com a televisão e os sofás, a segunda com a mesa comprida de comida e as cadeiras de costas duras. Aguentei alguns minutos intermináveis num dos sofás antes de rumar à doçaria, estando a cozinha apenas composta de sexo feminino, representado em praticamente todas as suas idades. As conversas em voz baixa foram reduzindo de volume e velocidade a cada passada que dava para o interior da divisão e, de prato na mão a compor a refeição, todos os meus movimentos foram seguidos sem uma palavra. Sentei-me como quem faz de conta que não percebe o que se passa e, na voz mais natural deste mundo, perguntei:

- Então, aqui fala-se de quê?

Riram-se todas, nervosismo paredes meias com necessidade de ocultá-lo, aproveitei para sorrir e dar umas garfadas, o riso foi morrendo e o silêncio regressando. Satisfeita a gula, regressei à sala, para mais cinco minutos de perseguição de bola em relvado vertical, estava a ser daqueles jogos sem golos que não agradam a ninguém, quando terminou e a decisão foi de pôr música africana e dançar, estava na hora de ir. 

Curiosamente, a aniversariante disse-me mais tarde que todos tinham gostado muito de mim e de uma graça qualquer que tinha dito, aceitei como se acreditasse e dei a batalha por ganha.

No comments:

Post a Comment

Aqui

Total Pageviews

There was an error in this gadget

Followers

Blog Archive