Saturday, April 18, 2015

Tarde Happy à beira rio, com cão e sem praia

Fui dar uma corrida até à minha praia mas, lá chegado, o passeio pelo areal teve de ser adiado sine die, uma vez que, como ocorre nas marés cheias, a água cobre toda a extensão amarela. Assim, tive de improvisar e meti-me pelo mato rasteiro. Se o pé não pisa a areia, pelo menos a vista consome a beleza. 

Ia eu nas minhas cogitações, que é ao que o cérebro se dedica quando corro, ando ou estou parado, e acabei por enveredar por um caminho diferente e dar de cara com um antigo armazém ligado à salga do bacalhau, negócio fenecido mas outrora florescente na região, três prédios desfeitos mas alegrados por graffiti, que dariam um excelente cenário para fotografias, tivesse eu levado máquina ou companhia a quem encostar a cabeça. 

Um pouco adiante, um enorme cão amarelo elevou-se nas patas traseiras como um fervoroso alazão, apenas para avançar velozmente na minha direcção. Em regra, é quando tal acontece que retiro imediatamente os dois bastões de aço que se acolhem na mochila transportada às costas exclusivamente para o seu carrego, mas desta vez conservei as mãos nuas, pois tinha visto que, no seu ponto de partida, repousava um casal, o qual, sentado no chão de pedra com as costas apoiadas na do outro, lia cada um, impassivelmente, o seu livro. 

O cão chegou até mim e o que queria eram festas, e festas foram o que teve. Feliz, desatou a correr para longe, parando a meio para ver porque não o seguia e voltando para trás, repetindo a operação duas vezes e em ambas recebendo festas e o meu mais agradecido sorriso. Eventualmente, foi chamado pelos donos, que não abandonaram os livros ou a posição espelhada na pedra, mas ainda tentou uma derradeira vez vir ter comigo, desistindo por causa do terreno acidentado de sebes labirínticas (para a altura do bicho) e a distância que eu já lhe tinha dado, com o intuito de chegar ao molhe e sem saber que o adorável quadrúpede queria mais aconchego. 

A grande coincidência é que, estando eu a ouvir uma playlist composta por covers dos manos Boyce Avenue desde que saíra de casa, tive a súbita envolvência da faixa Happy, originalmente composta e cantada por Pharrell Williams, assim que o cão tornou clara a sua natureza amistosa. Era a 14º faixa de uma compilação preenchida com canções melancólicas e apaixonadas, pelo que o seu timing não podia ter sido mais perfeito. E este duplo complemento ao passeio foi a saborosa surpresa de uma tarde solitária. 

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