Saturday, April 30, 2011
Thursday, April 28, 2011
da cortesia
É curioso o facto de que, quando alguém entra num consultório médico e cumprimenta os circunstantes, todos devolvem o cumprimento.
Sunday, April 24, 2011
preservativo
Sou pouco sensível e o preservativo corta-me parte do prazer. Uso-o por medo de doenças venéreas e de ser pai, mas tenho sempre de mentalizar-me que, do mal, o menos. Usar preservativo é como ouvir música debaixo de água. Cumpre uma função, mas do ponto de vista do prazer é como ser anestesiado. Não sei porque é que a ciência não continuou à procura de uma alternativa.
Far-me-á sempre confusão, porque grande parte do acto sexual é intimamente cerebral, é um bailado, é conduzir uma orquestra com uma partitura inventada na hora. Se alguns instrumentos são abafados, o seu som não é o que devia ser e, enquanto maestro, fico descompensado, tenho de reinventar-me. Torna-se necessário haver um acto preparatório de mentalização ou um crescendo de antecipação. Há diversas técnicas, só que o seu recurso não deveria ser constante. Imagino que muitas pessoas casem para deixarem de pensar tanto.
Neste verão, Amorangue a sua Baunilha
O anúncio:
Manequim de biquini chega à praia, toda branquinha, filmada de costas a caminhar em direcção à água. Voz off: "Baunilha". Ela pousa a toalha, senta-se e tira qualquer coisa da saca. Entretanto, a câmara rodeia-a, para se ver como é jeitosa. Da mala, cai um tampão à areia. Ela faz uma expressão de resignação. A seguir, um vendedor ambulante da Olá. Ela sorri, levanta-se, e vai comprar um Cornetto de Morango. Voz off: "Neste verão, amorangue a sua baunilha".
Reacções:
Esta expressão ainda vai ser huge este verão. Exemplo na night:
- Já estamos todos prontos para sair, demoras muito?
- Hoje não me apetece sair, estou maldisposta.
- Ah, tens a baunilha amorangada...
ou
Exemplo na praia:
- Olá, queres vir à água?
- Não, hoje não me apetece.
- Ah, tens a baunilha amorangada...
Reacções:
Esta expressão ainda vai ser huge este verão. Exemplo na night:
- Já estamos todos prontos para sair, demoras muito?
- Hoje não me apetece sair, estou maldisposta.
- Ah, tens a baunilha amorangada...
ou
Exemplo na praia:
- Olá, queres vir à água?
- Não, hoje não me apetece.
- Ah, tens a baunilha amorangada...
Saturday, April 23, 2011
amorangar a baunilha
Lá estão as mulheres sempre a dizerem que o sexo anal é para os gays. Mas os gays, mesmo não tendo alternativa, gostam. As mulheres, que podem ter o melhor de dois mundos, dá-lhes para as esquisitices. Olha o seguinte exemplo: se eu te puser à frente um gelado de chocolate e outro de morango, tu não ficas só com um, queres os dois. Portanto, nem sempre é obrigatório escolher, há situações que não se invalidam umas às outras.
(pausa)
Por acaso, a analogia dos gelados até não foi mal esgalhada. O gelado de chocolate, já se sabe ao que se refere, é castanho e basta. O de morango... bem, todos os meses, as mulheres amorangam a baunilha...
Friday, April 22, 2011
Ovo da Páscoa
O ovo da Páscoa que me ofereceram reza, no rótulo, ter validade até Novembro de 2013. O que levanta questões curiosas, como o facto de a loja onde foi comprado ter ainda duas Páscoas para vendê-lo, antes de ter prejuízo, ou como eu podia guardá-lo no congelador ou ir comendo aos bocadinhos durante os próximos dois anos.
Em dez minutos, essas questões deixaram de fazer sentido.
Blast from the past - Carla Duas Couves
Uma chamada telefónica vinda do nada, de uma das primeiras mulheres da minha vida, que amei quando achava que esse sentimento podia destruir-me.
Já não a vejo desde 1993, mas os meus pais cruzaram-se com ela algumas vezes e daí veio o seu número de contacto, o que levou a uma chamada de cinco minutos, onde foi evasiva e disse que depois me ligava de volta, o que não aconteceu.
O ano passado, liguei-lhe e fiquei a saber os diversos rumos que a sua vida tomou, filhos, marido e empregos, missão cumprida por tempo indeterminado, até que uma voz que reconheci imediatamente me disse ontem:
- Acho que acabei de ver-te.
Sabendo que não podia ser verdade, a menos que estivesse pendurada de um primeiro andar a olhar-me pela janela, perguntei:
- Onde?
- Sabes onde estou?
- À minha janela?
- Na estação de S. Bento.
- Não era eu.
- Eu também achei que não podias ser tu, não podias ter emagrecido tanto, mas fiquei com vontade de ver se o teu número continuava o mesmo.
E assim conversámos durante alguns minutos, onde me fez o ponto de situação da sua vida e lhe devolvi com pouco mais do que a minha situação profissional, já que a outra não sai da cepa torta.
- Bem, diz-me ela - Tu sempre tiveste uns gostos muito peculiares.
- Pior do que isso, eu também sou peculiar, portanto não basta escolher, também tenho de ser aceite na mesma proporção.
E mais dissemos, até à típica desculpa económica de falar ao telemóvel para redes diferentes nos ter conduzido ao fecho da chamada.
Wednesday, April 20, 2011
size matters
- Bolas, não trouxe preservativos. Tens?
- Não tenho nenhum S.
- Engraçadinha. Que tamanhos tens?
- Só tenho XL e XXL.
- Tens um elástico?
- Não tenho nenhum S.
- Engraçadinha. Que tamanhos tens?
- Só tenho XL e XXL.
- Tens um elástico?
Tuesday, April 19, 2011
Monday, April 18, 2011
frescura
Quando chegou, molhada da chuva, disse-lhe:
- Olá, frescura.
Claro que os broncos com que trabalho tinham de transformar essa inspiraçao em brejeirice.
- Olá, frescura.
Claro que os broncos com que trabalho tinham de transformar essa inspiraçao em brejeirice.
funerais
- Então que gravata é essa, morreu alguém?
- Imagina a minha surpresa quando aqui cheguei e te vi de pé.
- Imagina a minha surpresa quando aqui cheguei e te vi de pé.
Wednesday, April 13, 2011
Tuesday, April 12, 2011
justiça
Desde miúdo, nunca gostei de filmes onde o mau passa o filme a fazer mal aos outros e no fim é morto, de forma indolor, com um único tiro. Cai e pronto. Não, é preciso pôr sal na ferida.
pena de morte
Não é contraditório que, em tempos de guerra, se encolham os ombros à morte de milhares de inocentes de uma assentada mas, em tempos de paz, seja chocante matar um único?
ciúme
As mulheres não são ciumentas porque acham todos os homens capazes de traição, mas porque elas próprias estão sempre a um passo de sucumbir à tentação.
Monday, April 4, 2011
do arrumo
O chefe, a abanar a pasta:
- Ricardo, este processo está um desarranjo!
- Dr, hoje ainda nao veio a mulher da limpeza.
- Ricardo, este processo está um desarranjo!
- Dr, hoje ainda nao veio a mulher da limpeza.
espaço
Ela: Se ele não gosta do meu aspecto, temos pena.
Eu: Mas tambem percebo o lado dele, tu podes ser tipo o armário que, por mais bonito, não cabe onde ele queria metê-lo...
Eu: Mas tambem percebo o lado dele, tu podes ser tipo o armário que, por mais bonito, não cabe onde ele queria metê-lo...
validade
Comprei um par de luvas com prazo de validade.
São luvas de protecção da categoria 2, em conformidade com as normas EN420 e EN388 de 2003. No cartão que as unia uma à outra, pode ler-se, nas instruções de utilização: Utilize as luvas até 2014. Se as utilizar por um período prolongado, verifique cuidadosamente se as luvas apresentam danos e alterações.
São luvas de protecção da categoria 2, em conformidade com as normas EN420 e EN388 de 2003. No cartão que as unia uma à outra, pode ler-se, nas instruções de utilização: Utilize as luvas até 2014. Se as utilizar por um período prolongado, verifique cuidadosamente se as luvas apresentam danos e alterações.
Sunday, April 3, 2011
Perdoar e esquecer
Perdoar e esquecer são duas coisas diferentes. Perdoar é sinal de superioridade, esquecer de estupidez.
Friday, April 1, 2011
Wednesday, March 16, 2011
resina do queijo
Ofereço-me para eliminar o inventor da resina vermelha que envolve os queijos. Alguém me diz onde o encontro?
Monday, March 14, 2011
Tony & Guy
Afinal, os cabeleireiros Tony & Guy são portugueses. Em início de carreira, eram conhecidos por António E O Outro Gaijo.
Dá um pontapé à mamã
Sempre que uma certa colega grávida se mete comigo, viro-me para a barriga dela e digo:
- Dá um pontapé à mamã.
«o aborto é matar crianças»
Os fetos são como os bebés hamster. São pequeninos e subdesenvolvidos porque saíram do forno muito cedo.
Sunday, March 13, 2011
Saturday, March 12, 2011
sarcasmo
Não há humor como o sarcasmo, assim como não há chocolate como o negro. O melhor doce tem sempre um ligeiro travo amargo.
na selva
Os animais selvagens comem as fezes das suas crias para não deixarem vestígios aos predadores ... a menos que arrotem.
Friday, March 11, 2011
sarcasmo
Não há humor como o sarcasmo, assim como não há chocolate como o negro. O melhor doce tem sempre um ligeiro travo amargo.
Tuesday, March 8, 2011
ordem ou obsessão
Em casa, disponho os livros, CDs e DVDs por cores. No caso dos livros, também por tamanhos. Se uma prateleira não puder ter todas as lombadas da mesma altura, os mais altos ficam nos cantos. Os mais largos do lado de fora, os mais estreitos do lado de dentro. Os livros de bolso ficam nas prateleiras de baixo.
Monday, March 7, 2011
mulher vs carnaval
Amanhã é dia internacional da mulher e carnaval em simultâneo. Com tantos homens vestidos de mulher, uma comemoração anula a outra?
vapores de grávida
Se uma grávida estiver na sauna quando se lhe rebentam as águas, não será mais correcto dizer que se lhe rebentam os vapores?
Saturday, March 5, 2011
Monday, February 28, 2011
melancolias
Quantas vezes namorei para apear a solidão
E tudo o que hoje guardo desses gestos
Saturday, February 26, 2011
tamanhos
No ponto de encontro para um jantar de antigos colegas, saí do carro e juntei-me ao grupo reunido à porta do restaurante. Ao cumprimentar-me, um daqueles mais materialistas pergunta:
- Então, trouxeste o teu carro mais pequeno?
- Sim, não tenho mais pequeno do que este - respondi.
- Então, trouxeste o teu carro mais pequeno?
- Sim, não tenho mais pequeno do que este - respondi.
não ao desperdício
Descobri que tenho diversas caixas de comprimidos com o prazo recentemente expirado, para vários males. Não será economicamente inteligente tomá-los um a um, com as refeições? Eu sei que não tenho prisão de ventre, por exemplo, mas mais vale prevenir do que deitar fora o que ainda está bom.
Tuesday, February 22, 2011
Odisseia Segundo Penantes
É a segunda vez que acho que é fácil sair na estação de comboio de Campolide e ir parar a Alcântara.
É a segunda vez que me engano. A terceira está ao virar da esquina, prevejo-o. Sou insistente, especialmente quando não percebo como é que aquilo que na minha cabeça é um percurso pleno de simplicidade se transforma num desorganizado emaranhado de ruas que vão em todas as direcções menos naquela que interessa.
A última vez foi em Novembro, tinham os meus pais decidido ir ao Museu do Oriente e eu disse-lhes que saíamos na estação de comboio de Campolide e depois eram só quinze minutos a descer uma avenida. Infelizmente, entre a estação e a tal avenida não há passeios para peões, tendo as vias rápidas obrigado a deslocações cada vez mais afastadas do perímetro intencionado que os meus pais, depois de me rogarem tantas pragas como se discorressem um rosário, acabaram por chamar um táxi que nos colocou no destino em cinco minutos.
Hoje, tinha de ir ao Hospital da CUF, no Infante Santo, e o Google Maps mostrou-me que estaria dentro do mesmo campo de batalha. As análises estavam marcadas para as 13h, por isso apanhei o comboio das 11h14 e apeei-me na estação de Campolide dez minutos depois. Tinha tempo de sobra. Game on.
Não cometendo nenhum dos erros da última vez, dei por mim a cruzar algumas linhas rectas alternativas, todas bem sucedidas, que me colocaram em apenas vinte minutos no local onde tínhamos apanhado o táxi. Daí ao Infante Santo foi mais meia hora, através de ruas infindáveis do Campo de Ourique, contornando o Cemitério dos Prazeres (vi-lhe a entrada e achei-a muito selecta) e uma igreja cuja fachada parece imitar um anjo com asas abertas (não há nada que um arquitecto não consiga fazer do que ser humilde). Ao lado de um imponente e extenso edifício cor de rosa havia a entrada para um jardim e fui perguntar se estava longe da CUF e se podia visitar o jardim. Estava a cinquenta metros do hospital e a entrada era livre.
O Jardim da Tapada das Necessidades está montado numa íngreme encosta e não tem quase nenhuma atracção, para além de uma estufa muito mal aproveitada e umas casas a caírem aos pedaços, interditadas por gradeamentos. Notei a ausência de bancos de jardim pelo recinto, concentrados dois ou três em sítios sob sombras, e a de velhos a jogarem às cartas. Aliás, não havia mais ninguém enquanto percorri o espaço e fotografei a estufa. Amélia Muge vai cantar lá a 13 de Março de 2011, para quem gostar, mas o espaço é pouco e convém não pisar as couves. Sim, há um mini-mini-horto na estufa.
A CUF pediu-me 140€ por algo que demorou meia hora de espera e dois minutos de trabalho de equipamento, mas como sabia de antemão que esse era o preço, nem tugi. Paga-se com plástico, que dói menos.
Dei um toque à Sandra, que trabalha na Avenida 24 de Julho, e fui passear por Alcântara, conhecer uma urbanização modernaça de que conhecia só os telhados, vistos da ponte, e gostei mas achei pouco. Fotografei-lhe umas escadas de incêndio pouco usuais e meti a caminho da Praça do Comércio. A Sandra estava a trabalhar, não se me pôde reunir. Mais tempo sem um café.
Demorei 25 minutos até à Rua do Alecrim, que subi, mas antes disso espreitei os posters na entrada do teatro A barraca e lamentei o aspecto sujo. Talvez faça parte do seu charme, o que duvido. Numa esplanada junto ao teatro, uma mulher parecida com a Julianne Moore olhou curiosamente para mim, pelo canto do olho, mas quando me aproximei entrou no estabelecimento. Deu para perceber que tinha menos 20 anos que a actriz e uma maquilhagem muito brilhante. Mas era bonita e ainda pensei nela durante cinco minutos.
Rua do Alecrim acima, com paragem na BD Mania no largo dos Bombeiros (loja desnecessária e vergonhosamente careira para o meu gosto) e a nostalgia levou-me a virar à esquerda no Largo de Camões e a subir a Rua da Rosa até ao nº 132, onde gastei uma fortuna entre 1994-1995 numa loja chamada Good n' Evil.
Ainda não tinha entrado e já se tornara claro que, em vez de action figures e esculturas da Marvel, DC, Darkhorse e cinema, a loja só tinha chapéus nas paredes e mudara o nome para Loja dos Chapéus. Entrei, de qualquer modo, e dirigi-me à bonita funcionária para perguntar-lhe se sabia do destino do empreeendimento que ali existia antes. Não sei se foi quando falou se imediatamente antes, mas tornou-se clara uma misteriosa metamorfose na minha percepção e estava diante de um rapaz bem parecido, bem educado e de voz grave, que me confidenciou que os chapéus já ali estavam há três anos e que tinha conhecimento da Good n' Evil, que fechara as portas, não se tendo mudado, tanto quanto sabia, para nenhuma outra direcção. Apeteceu-me olhar mais para ele, mas o assunto que ali me conduzira estava concluído e retomei a maratona.
Poucos metros mais tarde, a retornar ao Largo de Camões, deparei-me com um Batman mais alto do que eu, dentro de uma montra. Espaço Chiado, loja 23, reza uma tabuleta por baixo do Cavaleiro das Trevas. Entrei. No andar de cima, a loja espera por mim, com um Joker em versão Heath Ledger a guardar a entrada. A loja, em si, é muito pequena e está atravancada de caixas de figuras de colecção, mas deu para ver que os preços são muito mais convidativos que os da BD Mania. Perguntei à simpática Rainha do Gelo por trás do balcão se era para ali que se tinha mudado a Good n' Evil da Rua da Rosa, mas ela disse que nada tinham a ver, que as portas apenas estavam abertas desde 31 Outubro de 2010 e eu só horas depois me apercebei de que perdi a oportunidade de gracejar que era a loja certa para abrir no dia de Halloween.
À saída, pedi a uma incauta viajante que me fotografasse ao lado de Joker e atrás de nós pode ler-se que a loja se chama BD Heroes. Check it out. Paredes meias, uma loja surpreendente: vinis, CDs e DVDs, com uma particularidade: 90% são bandas sonoras. Não entrei, por isso o 90% é um valor aproximado.
Desci o Chiado e entrei na Zara, experimentei três pares de calças que me demonstraram que o tamanho 42, este ano, não foi feito para gente, e saí de lá com uma mochila bastante jeitosa, como se eu não as tivesse mais do que as mães. Cala-te.
A Fnac já foi o meu poiso de eleição, mas há alguns anos que lhe tenho fobia. Percorri-lhe os corredores sem parar a não ser para brincar brevemente com um telemóvel de 570€ e saí para respirar, sem me lembrar de ir à Sport Zone. Pensamento esse que só agora me ocorre.
Daí não entrei em mais loja nenhuma, mas o dia não estava terminado. Indo a pé até Sete Rios, isto envolveu descer aos Restauradores, subir a Avenida da Liberdade e o Jardim Eduardo VII, passar por trás do Corte Inglês e contornar a Praça de Espanha, olhar para o relógio a meio da Avenida Columbano Bordalo Pinheiro e correr até à estação de comboios a tempo de as portas do veículo longo se fecharem atrás de mim.
Foi um dia desgastante, mas a boa música (Marina & The Diamonds e e vários álbuns de Ratat) e o sol foram suficientes para que o conte como um dos mais divertidos dos últimos tempos.
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