Uma opinião é o que se tem quando não se tem a verdade.
Tuesday, May 31, 2011
Monday, May 30, 2011
Diálogos Eróticos - Livro de Arte
A Cooperativa Árvore vai lançar mais um livro de Arte da sua colecção Os Nossos Amigos, desta feita sob o título Diálogos Eróticos, e convidou-me a participar. O livro será composto por pinturas, desenhos, poemas e prosa de artistas convidados e o meu texto terá as letras que se seguem, pela ordem que passo a enunciar:
QUEM
A luz passava pela frincha do estore como se invadisse sorrateiramente um território que ela própria queria deixar repousar mais um pouco, por respeito, antes de polvilhá-lo de farinha, especiarias e levar ao lume de mais um dia de trabalho.
Ao iniciar o processo de espreguiça, sentiu o peso que lhe comprimia o braço e lhe soprava ao de leve sobre o sovaco. Reprimiu a urgência de esticar todas as articulações do corpo durante um longo bocejo e usou o braço livre para afastar algum do cabelo negro que tinha aninhado contra si.
Observou o perfil de nariz maroto e maçãs sensuais, o pescoço de suavidade equiparável à de um pêssego por descascar, o ombro com sardas que pareciam areia da praia. Piscou os olhos, repetidamente, invectivando a sua miopia. Acordar para uma névoa era, em regra, um alívio que adiava a dura realidade, mas outras implicava não saber quem tinha ao seu lado.
Que horas seriam? O despertador não estava em cima da mesinha de cabeceira, o que sugeria que, ou fora roubado, ou a noite tinha sido mais louca do que a recordava. Inclinou-se para a segunda hipótese, já que sentia debaixo de si o que poderia muito bem ser um sapato de salto alto. E lembrava-se de, a dada altura, ter um par de cuecas de renda com o elástico preso às orelhas. E de cheirar-lhe, de entre todas as coisas, a banana.
Fragmentos da véspera abriam-lhe um sorriso nos lábios e animavam-no abaixo do umbigo. O dia tinha começado mal, mas terminado em cheio. Depois de uma noite de insónia pesada e debilitante, a olhar para o vazio entre as pestanas e o tecto através das pálpebras pesadas e cerradas, um dia que correra inesperadamente bem, com as peças a caírem acidentalmente em todos os sítios certos e a completarem o puzzle, que se revelara uma brilhante imagem de sucesso, em vez da dor de cabeça que antecipara
A miopia esbatia-lhe pormenores indesejados, um truque que o excesso de curvatura das suas córneas aprendera com as lições fotográficas de David Hamilton, ponto de focagem na periferia da retina, clic. Contudo, a proximidade do alvo permitia-lhe contornar os cabelos revoltos e concentrar-se nos lábios que assobiavam sem notas, assimilando suficiente detalhe para ter vontade de arrebatá-los, aquela rugosidade carnosa e rosada a comandar-lhe o pescoço como um flautista indiano à cobra do cesto. Mas um beijo não podia ser roubado assim, tinha de ser conquistado. Independentemente do que pudessem ter feito na noite passada, o que permanecia uma incerteza de que não se declarava culpado, o dia seguinte tinha regras próprias. E autorizações novas.
Um beijo era algo especial, uma mecânica entre duas bocas, desajeitado na primeira aproximação, os narizes que não sabem para que lado virar, as bocas secas, as línguas húmidas, a sofreguidão que tem de ser refreada, a intumescência que é resultado do intenso chuveiro dos terminais nervosos, que confluem todos para o que nela é o ralo e nele é o falo.
A seguir ao beijo, as autorizações passam a ser tácitas, os avanços e recuos controlados pelas reacções provocadas, cada toque um convite ao seguinte, cada peça de roupa que sai um grau centígrado que sobe, até que o estado febril exige atestado médico, o remédio é cama, imediata e prolongada, os estímulos incontroláveis e espasmódicos do desejo não têm cura, nem cura se quer.
Não se recordava de ter jantado, mas da euforia da noite sim, de vozes altas, de música ensurdecedora, de ter dançado sem questionar as mudanças de ritmo, de ter pago bebidas, de as ter bebido, de as ter entornado, de não se ter importado, de estar feliz e saber porquê, de ter porquê.
- Olá.
A suavidade de veludo da voz que o despertou do devaneio aderiu-lhe à pele. Ela espreguiçou-se como um gato e beijou-o na face, detidamente, roçando os lábios na barba por fazer, hirsuta como a de um homem das cavernas. O hálito que lhe invadiu as narinas era invulgarmente agradável, assim como o joelho que sentiu insinuar-se-lhe por entre as coxas.
Sentiu-se corar, por ter estado a observá-la como uma estranha e ela a falar-lhe com tanta familiaridade. Deveria dizer-lhe que a noite passada continuava a ser um conjunto de clarões indistintos, sensações quentes e agradáveis, mas sem nitidez?
- Não sei se ontem cheguei a ouvir o teu nome – ouviu-se dizer.
Ela riu-se e ergueu o tronco, sentando-se-lhe sobre a pélvis. Estava nua e isso foi o suficiente para que a carne dele se manifestasse, e quando lhe passou as unhas pela barriga, encolheu-a, arrepiado.
Friday, May 27, 2011
É por isso que eu digo: lutar por aquilo em que se acredita, mas armado!

Como José e Maria foram mortos no faroeste do Brasil por defenderem a floresta - Ecosfera - PUBLICO.
ecosfera.publico.pt
José Cláudio já tinha avisado que um dia o iam matar, por atrapalhar os madeireiros que devastam a Amazónia. E terça-feira foi morto a tiro, com a mulher.
obsessão vs preguiça
Hoje, um amigo personal trainer estava a mostrar-me um site de musculação que tem uma secção de frases famosas e uma delas era:
«Obcecado é o que os preguiçosos chamam a uma pessoa determinada».
Wednesday, May 25, 2011
Saturday, May 21, 2011
noite para o dia
Depois de uma noite de insónia pesada e debilitante, a olhar para o tecto através das pálpebras pesadas e cerradas, sem realmente o ver, ora focando-lhe a rugosidade da tinta ora perdendo-me em ondas desfocadas por trás das agulhas que me perfuravam a vista, um dia que correu espantosamente bem, apenas comparável à irrealidade filmada de um argumento destinado a fazer-me brilhar.
barba ao almoço
Cheguei ao escritório com barba de três dias.
- Então, já não se faz a barba?
- Vou ao barbeiro à hora do almoço.
Barba cinco horas mais comprida mais tarde:
- Então, não ias ao barbeiro à hora do almoço?
- O barbeiro tinha ido almoçar.
- Então, já não se faz a barba?
- Vou ao barbeiro à hora do almoço.
Barba cinco horas mais comprida mais tarde:
- Então, não ias ao barbeiro à hora do almoço?
- O barbeiro tinha ido almoçar.
Thursday, May 19, 2011
lar mutatis
Não há lar como um barco. Tem-se o ambiente reconfortante da decoração pessoal, mas por trás das janelas os cenários não estagnam.
E soalho flutuante já a maior parte das casas tem.
E soalho flutuante já a maior parte das casas tem.
alguma coisa acaba sempre no chão
Porque é que, na cozinha, nos tornamos malabaristas falhados? Ninguém sabe, porque a esfregona guarda os segredos mais sujos
.
.
Monday, May 16, 2011
(in)Justiça Cega - dr Vilória e Strauss-Kahn
Patrão do FMI, Dominique Strauss-Kahn, já disse: quer ser julgado pelos juízes desembargadores Eduarda Maria de Pinto e Lobo e José Manuel da Silva Castela Rio. Se absolveram o psiquiatra que violou uma paciente grávida, o que é uma camareira de um hotel de luxo?
Saturday, May 14, 2011
arcos íris
Então e se S. João Paulo II, ontem, em vez de fazer cair um arco-íris sobre Fátima, tivesse pago a dívida externa Portuguesa? Isso é que teria sido de valor.
Sunday, May 8, 2011
Saramago e Braga Santos, uma Sinfonia Levantada
Aos 14, 15 anos, a ler das prateleiras dos meus pais o Levantado do Chão de José Saramago e a saturar as ondas hertzianas com os seus vinis, achei que o segundo movimento da 4ª Sinfonia de Joly Braga Santos era tão adequada que parecia irreal. De uma riqueza emocional como poucas partituras alguma vez conseguiram, capaz de levar à revolta e à insubmissão um cândido púbere, que se imaginava a liderar a massa humana de andrajos corajosa pelo Alentejo de lei latifundiária e opressora, a conduzi-los numa jornada que pretendia o aliviamento da sua condição subjugada através dos punhos erguidos e da razão de mãos dadas com o coração, que a balança da justiça só se equilibra com números robustos e firmes do lado sem dinheiro nem direitos.
escrita criativa
A minha mãe perguntou-me porque é que nunca tirei um curso de escrita criativa. Respondi que não gosto de sentir a minha criatividade restringida por terceiros.
Saturday, May 7, 2011
parques temáticos
Não entendo porque é que os parques temáticos se reduzem a montanhas russas e lojas de recordações. Não há temas que não peçam algo que não seja alta velocidade sobre carris?
Friday, May 6, 2011
Corações: Um Estudo em Rosa com suspiros de vermelho
Assim como o amor é um bailado, o coração é uma sapatilha de pontas. Para servir convenientemente a sua dona, não pode estar nas condições com que se adquiriu, tem de ser dobrado, amolgado, raspado, riscado. Só então, maleável, estará pronto a fazer o seu trabalho.
Um coração novo, de aspecto brilhante, colorido e fofo, é também inexperiente. Precisa de ser torcido, moldado às necessidades da dona. Para saber se é um bom coração, atire-se ás situações, de cabeça. Arrisque, como um gato atrás de um novelo. Se não lhe parece uma actividade divertida, é porque não é um gato. Mas, numa derradeira tentativa, repita a operação ao ar livre, num dia de temperatura convidativa. Se, ainda assim, se cansar depressa, pense que está apenas a testar a resistência e maleabilidade do seu coração. Convém fazê-lo durante o primeiro mês, para aproveitar a garantia. Lembre-se, há séries com defeito.
Tenha em atenção que, por muito bom que possa ser o seu coração, enquanto ente individual, terá de aprender a ajustá-lo ao daquele que ama. Os corações não têm todos a mesma forma, nem a mesma composição. São como peças de um puzzle maior. Para que possam ficar juntos, é preciso identificar bem os seus lados e cantos, até de olhos fechados. Ocasiões de fraca luminosidade surgirão em que essa capacidade lhe será de extrema importância. Previna-se. Treine os seus sentidos.
Agora, atenção. O mercado está cheio de corações, quem lhe disse que aquele que escolheu é mesmo para si? Identifique as razões da sua escolha. Curiosidade? Atracção? Estética? Afinidades? Mesmo que esse outro coração esteja sozinho e pareça o tal, pode estar reservado a outrem, ou a ninguém. Tome nota. Saiba interpretar os sinais. Primeiro, os seus. Depois, os do outro.
Os corações depreciam. Pela idade, pela manutenção, pelo uso, podem perder valor. Até aos olhos do coração-par. Exactamente. Já obteve o coração cobiçado, já lhe arrancou afirmações de amor eterno, podem até ter sido concretizadas em carta e guardadas em cofre, assinaturas confirmadas por notário, mas nada disso garante eternidade. O coração é volitivo e está em constante evolução. O que satisfez as suas necessidades uma vez, poderá não as satisfazer para sempre. Ou porque perca convicção, ou porque as necessidades deixem de ser as mesmas. Faça listas. Mantenha-se atenta. Actualizada. Leia. Não viva só de receio, pergunte-se se o coração que escolheu continua, também, satisfatório.
No fundo, divirta-se. Não pense muito no que entretanto aqui se explicou, porque só irá enrugar o seu coração. O que tiver de ser, será. Não há como contrariar o destino. O coração não foi feito para ficar apertado, angustiado, nem com meras possibilidades de uma futura desgraça, nem com a sua consumação. Saia. Cuide do seu coração, conhecendo outros.
Thursday, May 5, 2011
lobo solitário
Sabes que o lobo, por natureza, não é matreiro - essa é uma característica das raposas, que são mais assustadiças e por isso preferem atacar pelo seguro, através de subterfúgios. O lobo, muito mais corajoso e frontal, é directo na sua abordagem à presa.
Quanto a este lobo específico, como sabes, não é nada do tipo esfomeado, tanto mais que até utiliza a técnica do jejum como forma meditativa, o que o ajuda a garantir objectividade e a só meter o dente no que realmente o atrai.
Não sou, de maneira nenhuma, cruel; o meu egocentrismo, quando estou com alguém, resume-se à confiança com que me movo; e interesseiro nem sequer entendo neste conceito.
Se o que me propões assenta numa base de sedução mútua, por quem sóis, dá um passo em frente.
Quanto a este lobo específico, como sabes, não é nada do tipo esfomeado, tanto mais que até utiliza a técnica do jejum como forma meditativa, o que o ajuda a garantir objectividade e a só meter o dente no que realmente o atrai.
Não sou, de maneira nenhuma, cruel; o meu egocentrismo, quando estou com alguém, resume-se à confiança com que me movo; e interesseiro nem sequer entendo neste conceito.
Se o que me propões assenta numa base de sedução mútua, por quem sóis, dá um passo em frente.
corazón partío
Todos temos amigos fatalistas, que insistem que um coração partido nunca mais ficará inteiro e que, quem diz que sim, é porque nunca o partiu, porque não amava realmente.
Oh meus amigos, não sejais derrotistas nem armados em mártires. O coração não parte, é como se fosse de borracha. deforma quando esmagado mas, eventualmente, volta ao sítio. É dar tempo ao material.
Quem for muito dado a esta maleita, recauchute.
Oh meus amigos, não sejais derrotistas nem armados em mártires. O coração não parte, é como se fosse de borracha. deforma quando esmagado mas, eventualmente, volta ao sítio. É dar tempo ao material.
Quem for muito dado a esta maleita, recauchute.
Sunday, May 1, 2011
A Mão de Deus
Deus e a ausência de filhos nos últimos dois mil e onze anos... será que ele criou uma mão como a da Família Adams, só para se coçar?
ao vivo e com palmas
Um álbum de piano a tocar na minha aparelhagem. Quando a música chega ao fim, ouve-se uma multidão a bater palmas. O meu pai pergunta:
- É ao vivo?
- É ao vivo?
Preservativo - campanha
Campanha não moralista e divertida a favor do preservativo.
Filho(s) de Deus
Só há um Deus e por isso o seu nome não precisa de competir com nenhum outro, é apenas Deus. Sem outros Deuses ou Deusas, é o único no Céu e em todo o Universo. Teve um filho há dois mil e onze anos, violando uma humana que lhe serviu de barriga de aluguer, por não haver Deusas a quem recorrer. Desta cópula nasceu um carpinteiro que terminou os seus dias no topo de uma monte, a ver o pôr do sol por entre os olhos marejados pela dor de ter sido pregado numa cruz de pau, condenado pelo crime de ser desbocado e não se retractar.
A moral da História, aqui, é uma interrogação: estará Deus em abstinência sexual há dois mil e onze anos ou haverá pelo mundo fora outros descendentes directos da semente divina que souberam manter a boca calada e usaram os seus eventuais poderes, não para o Bem, mas em proveito próprio? É bem provável.
Saturday, April 30, 2011
Thursday, April 28, 2011
da cortesia
É curioso o facto de que, quando alguém entra num consultório médico e cumprimenta os circunstantes, todos devolvem o cumprimento.
Sunday, April 24, 2011
preservativo
Sou pouco sensível e o preservativo corta-me parte do prazer. Uso-o por medo de doenças venéreas e de ser pai, mas tenho sempre de mentalizar-me que, do mal, o menos. Usar preservativo é como ouvir música debaixo de água. Cumpre uma função, mas do ponto de vista do prazer é como ser anestesiado. Não sei porque é que a ciência não continuou à procura de uma alternativa.
Far-me-á sempre confusão, porque grande parte do acto sexual é intimamente cerebral, é um bailado, é conduzir uma orquestra com uma partitura inventada na hora. Se alguns instrumentos são abafados, o seu som não é o que devia ser e, enquanto maestro, fico descompensado, tenho de reinventar-me. Torna-se necessário haver um acto preparatório de mentalização ou um crescendo de antecipação. Há diversas técnicas, só que o seu recurso não deveria ser constante. Imagino que muitas pessoas casem para deixarem de pensar tanto.
Neste verão, Amorangue a sua Baunilha
O anúncio:
Manequim de biquini chega à praia, toda branquinha, filmada de costas a caminhar em direcção à água. Voz off: "Baunilha". Ela pousa a toalha, senta-se e tira qualquer coisa da saca. Entretanto, a câmara rodeia-a, para se ver como é jeitosa. Da mala, cai um tampão à areia. Ela faz uma expressão de resignação. A seguir, um vendedor ambulante da Olá. Ela sorri, levanta-se, e vai comprar um Cornetto de Morango. Voz off: "Neste verão, amorangue a sua baunilha".
Reacções:
Esta expressão ainda vai ser huge este verão. Exemplo na night:
- Já estamos todos prontos para sair, demoras muito?
- Hoje não me apetece sair, estou maldisposta.
- Ah, tens a baunilha amorangada...
ou
Exemplo na praia:
- Olá, queres vir à água?
- Não, hoje não me apetece.
- Ah, tens a baunilha amorangada...
Reacções:
Esta expressão ainda vai ser huge este verão. Exemplo na night:
- Já estamos todos prontos para sair, demoras muito?
- Hoje não me apetece sair, estou maldisposta.
- Ah, tens a baunilha amorangada...
ou
Exemplo na praia:
- Olá, queres vir à água?
- Não, hoje não me apetece.
- Ah, tens a baunilha amorangada...
Saturday, April 23, 2011
amorangar a baunilha
Lá estão as mulheres sempre a dizerem que o sexo anal é para os gays. Mas os gays, mesmo não tendo alternativa, gostam. As mulheres, que podem ter o melhor de dois mundos, dá-lhes para as esquisitices. Olha o seguinte exemplo: se eu te puser à frente um gelado de chocolate e outro de morango, tu não ficas só com um, queres os dois. Portanto, nem sempre é obrigatório escolher, há situações que não se invalidam umas às outras.
(pausa)
Por acaso, a analogia dos gelados até não foi mal esgalhada. O gelado de chocolate, já se sabe ao que se refere, é castanho e basta. O de morango... bem, todos os meses, as mulheres amorangam a baunilha...
Friday, April 22, 2011
Ovo da Páscoa
O ovo da Páscoa que me ofereceram reza, no rótulo, ter validade até Novembro de 2013. O que levanta questões curiosas, como o facto de a loja onde foi comprado ter ainda duas Páscoas para vendê-lo, antes de ter prejuízo, ou como eu podia guardá-lo no congelador ou ir comendo aos bocadinhos durante os próximos dois anos.
Em dez minutos, essas questões deixaram de fazer sentido.
Blast from the past - Carla Duas Couves
Uma chamada telefónica vinda do nada, de uma das primeiras mulheres da minha vida, que amei quando achava que esse sentimento podia destruir-me.
Já não a vejo desde 1993, mas os meus pais cruzaram-se com ela algumas vezes e daí veio o seu número de contacto, o que levou a uma chamada de cinco minutos, onde foi evasiva e disse que depois me ligava de volta, o que não aconteceu.
O ano passado, liguei-lhe e fiquei a saber os diversos rumos que a sua vida tomou, filhos, marido e empregos, missão cumprida por tempo indeterminado, até que uma voz que reconheci imediatamente me disse ontem:
- Acho que acabei de ver-te.
Sabendo que não podia ser verdade, a menos que estivesse pendurada de um primeiro andar a olhar-me pela janela, perguntei:
- Onde?
- Sabes onde estou?
- À minha janela?
- Na estação de S. Bento.
- Não era eu.
- Eu também achei que não podias ser tu, não podias ter emagrecido tanto, mas fiquei com vontade de ver se o teu número continuava o mesmo.
E assim conversámos durante alguns minutos, onde me fez o ponto de situação da sua vida e lhe devolvi com pouco mais do que a minha situação profissional, já que a outra não sai da cepa torta.
- Bem, diz-me ela - Tu sempre tiveste uns gostos muito peculiares.
- Pior do que isso, eu também sou peculiar, portanto não basta escolher, também tenho de ser aceite na mesma proporção.
E mais dissemos, até à típica desculpa económica de falar ao telemóvel para redes diferentes nos ter conduzido ao fecho da chamada.
Wednesday, April 20, 2011
size matters
- Bolas, não trouxe preservativos. Tens?
- Não tenho nenhum S.
- Engraçadinha. Que tamanhos tens?
- Só tenho XL e XXL.
- Tens um elástico?
- Não tenho nenhum S.
- Engraçadinha. Que tamanhos tens?
- Só tenho XL e XXL.
- Tens um elástico?
Tuesday, April 19, 2011
Monday, April 18, 2011
frescura
Quando chegou, molhada da chuva, disse-lhe:
- Olá, frescura.
Claro que os broncos com que trabalho tinham de transformar essa inspiraçao em brejeirice.
- Olá, frescura.
Claro que os broncos com que trabalho tinham de transformar essa inspiraçao em brejeirice.
funerais
- Então que gravata é essa, morreu alguém?
- Imagina a minha surpresa quando aqui cheguei e te vi de pé.
- Imagina a minha surpresa quando aqui cheguei e te vi de pé.
Wednesday, April 13, 2011
Tuesday, April 12, 2011
justiça
Desde miúdo, nunca gostei de filmes onde o mau passa o filme a fazer mal aos outros e no fim é morto, de forma indolor, com um único tiro. Cai e pronto. Não, é preciso pôr sal na ferida.
pena de morte
Não é contraditório que, em tempos de guerra, se encolham os ombros à morte de milhares de inocentes de uma assentada mas, em tempos de paz, seja chocante matar um único?
ciúme
As mulheres não são ciumentas porque acham todos os homens capazes de traição, mas porque elas próprias estão sempre a um passo de sucumbir à tentação.
Monday, April 4, 2011
do arrumo
O chefe, a abanar a pasta:
- Ricardo, este processo está um desarranjo!
- Dr, hoje ainda nao veio a mulher da limpeza.
- Ricardo, este processo está um desarranjo!
- Dr, hoje ainda nao veio a mulher da limpeza.
espaço
Ela: Se ele não gosta do meu aspecto, temos pena.
Eu: Mas tambem percebo o lado dele, tu podes ser tipo o armário que, por mais bonito, não cabe onde ele queria metê-lo...
Eu: Mas tambem percebo o lado dele, tu podes ser tipo o armário que, por mais bonito, não cabe onde ele queria metê-lo...
validade
Comprei um par de luvas com prazo de validade.
São luvas de protecção da categoria 2, em conformidade com as normas EN420 e EN388 de 2003. No cartão que as unia uma à outra, pode ler-se, nas instruções de utilização: Utilize as luvas até 2014. Se as utilizar por um período prolongado, verifique cuidadosamente se as luvas apresentam danos e alterações.
São luvas de protecção da categoria 2, em conformidade com as normas EN420 e EN388 de 2003. No cartão que as unia uma à outra, pode ler-se, nas instruções de utilização: Utilize as luvas até 2014. Se as utilizar por um período prolongado, verifique cuidadosamente se as luvas apresentam danos e alterações.
Sunday, April 3, 2011
Perdoar e esquecer
Perdoar e esquecer são duas coisas diferentes. Perdoar é sinal de superioridade, esquecer de estupidez.
Subscribe to:
Posts (Atom)
Blog Archive
- March (22)
- February (15)
- January (8)
- December (4)
- November (12)
- October (11)
- September (20)
- August (17)
- July (22)
- June (24)
- May (14)
- April (26)
- March (11)
- February (16)
- January (9)
- December (7)
- November (13)
- October (35)
- September (23)
- August (54)
- July (8)
- June (5)
- May (5)
- April (5)
- March (5)
- February (3)
- January (10)
- December (28)
- November (9)
- October (6)
- September (6)
- August (13)
- July (2)
- June (10)
- May (11)
- April (3)
- March (9)
- February (3)
- January (20)
- December (11)
- November (29)
- October (15)
- September (12)
- August (11)
- July (12)
- June (4)
- May (10)
- April (5)
- March (12)
- February (7)
- January (7)
- December (7)
- November (19)
- October (1)
- September (12)
- August (12)
- July (16)
- June (22)
- May (28)
- April (23)
- March (1)
- February (9)
- January (16)
- December (29)
- November (10)
- October (12)
- September (18)
- August (29)
- July (7)
- June (12)
- May (10)
- April (13)
- March (16)
- February (8)
- January (39)
- December (21)
- November (13)
- October (20)
- September (20)
- August (23)
- July (7)
- June (30)
- May (37)
- April (54)
- March (20)
- February (30)
- January (42)
- December (17)
- November (31)
- October (117)
- September (25)
- August (69)
- July (50)
- June (48)
- May (27)
- April (12)
- March (16)
- February (11)
- January (10)
- December (13)
- November (23)
- October (13)
- September (14)
- August (7)
- July (10)
- June (15)
- May (25)
- April (26)
- March (20)
- February (11)
- January (13)
- December (12)
- November (8)
- October (12)
- September (8)
- August (24)
- July (12)
- June (4)
- May (2)
- April (17)
- March (40)
- February (13)













































